SOBRE

A inteligência artificial vem alterando a forma como organizações produzem conhecimento, tomam decisões, prestam serviços e organizam o trabalho. Ao mesmo tempo em que amplia capacidades científicas, econômicas e institucionais, sua difusão introduz novos problemas relacionados à segurança, à proteção de direitos, à concentração de capacidades tecnológicas e aos impactos sobre empresas, trabalhadores e governos. Compreender essas transformações exige aproximar o desenvolvimento tecnológico das ciências sociais, do direito, da economia e das políticas públicas.

A Cátedra de IA Responsável, sediada no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e desenvolvida em parceria entre a USP e o Google, atua nesse espaço de investigação. Sua agenda combina pesquisa aplicada, produção de evidências e debate interdisciplinar sobre as condições para o desenvolvimento e o uso responsável da inteligência artificial, reunindo pesquisadores e interlocutores da universidade, do setor público, das empresas e da sociedade civil. Criada em 2025, tem Carlos Américo Pacheco como primeiro titular e Glauco Arbix como coordenador acadêmico.

As pesquisas partem de problemas concretos colocados pela expansão da IA no Brasil. Entre eles estão a construção de modelos regulatórios capazes de proteger direitos sem bloquear a inovação; a identificação e classificação de incidentes e riscos; os efeitos da automação sobre ocupações e qualificações; as condições para o desenvolvimento de startups e para a adoção de IA pelo setor produtivo; e as possibilidades de uso dessas tecnologias na administração pública. A diversidade dessas frentes permite analisar a inteligência artificial não como uma tecnologia isolada, mas como uma transformação que interage com instituições, mercados, políticas públicas e estruturas sociais.

Essa agenda é particularmente importante para o Brasil. Grande parte dos sistemas, modelos e referenciais de governança que orientam a atual transformação tecnológica é produzida em outros contextos econômicos e institucionais. Desenvolver conhecimento a partir da realidade brasileira é necessário tanto para identificar riscos e desigualdades específicos quanto para reconhecer oportunidades de inovação, fortalecimento das capacidades públicas e desenvolvimento econômico. O desafio da IA responsável, nesse sentido, não é apenas estabelecer limites para novas tecnologias, mas criar as condições para que seus benefícios possam ser ampliados e distribuídos de maneira socialmente responsável.

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