PROJETOS

1. Regulação e Inovação

A regulação da inteligência artificial no Brasil passa por um momento de definição institucional, com diferentes propostas legislativas em discussão e a consolidação de novos arranjos de governança. A pesquisa examina os principais marcos regulatórios em debate, com atenção aos seus efeitos sobre inovação, segurança jurídica, proteção de direitos e capacidade regulatória do Estado. A análise inclui o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), o papel da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e os principais projetos de lei em tramitação.

O trabalho também contempla a criação de um sandbox regulatório no ambiente USP–Google, destinado à experimentação controlada com startups e projetos de pesquisa. Outra frente examina a pertinência de uma legislação específica sobre inteligência artificial no Estado de São Paulo e seus possíveis efeitos sobre o ecossistema de inovação. A coordenação é de Cristina Godoy Bernardo de Oliveira.

2. Observatório Nacional de Incidentes de IA

O uso crescente de sistemas de inteligência artificial tem sido acompanhado por novos tipos de riscos, falhas e impactos sociais que ainda são pouco sistematizados no contexto brasileiro. O Observatório reunirá e analisará incidentes relacionados a violações de privacidade, vieses e discriminação algorítmica, segurança cibernética, impactos sobre o trabalho e outros problemas associados ao desenvolvimento e à adoção dessas tecnologias.

Os registros serão organizados em uma base nacional construída a partir de fontes públicas, como veículos de imprensa, decisões judiciais, auditorias e documentos institucionais. A pesquisa também desenvolverá recortes específicos em áreas como processos eleitorais e saúde pública e buscará intercâmbio metodológico com observatórios nacionais e internacionais, incluindo iniciativas da OECD, UNESCO, MIT e Stanford.

3. IA e Mercado de Trabalho

A difusão da inteligência artificial tende a afetar de maneira desigual ocupações, tarefas e setores econômicos, alterando tanto a organização do trabalho quanto a demanda por determinadas qualificações. A pesquisa busca mapear esses efeitos no Brasil por meio da adaptação de metodologias internacionais de mensuração da exposição ocupacional à IA, incluindo os gradientes desenvolvidos pela Organização Internacional do Trabalho. O objetivo é identificar quais grupos profissionais e setores estão mais expostos e quais tipos de transformação podem ocorrer nas atividades desempenhadas.

A formação de recursos humanos qualificados constitui uma segunda dimensão da pesquisa. Serão analisados o posicionamento da América Latina na produção científica em inteligência artificial, a formação em STEM e Computação no ensino superior e no Novo Ensino Médio, além de estratégias de requalificação profissional e iniciativas de letramento em IA. A frente dedicada aos impactos sobre o trabalho é coordenada por Ian Prates, do Anker Research Institute e do CEBRAP.

4. Panorama do Desenvolvimento e Adoção de IA em Startups e Grandes Empresas

O desenvolvimento da inteligência artificial no Brasil depende tanto da capacidade de criação de novas tecnologias quanto da sua incorporação pelo setor produtivo. A pesquisa pretende caracterizar esse ecossistema a partir do levantamento de startups que desenvolvem ou utilizam soluções de IA, com atenção à sua distribuição territorial, aos segmentos em que atuam e às capacidades tecnológicas mobilizadas, especialmente no Estado de São Paulo.

A adoção de inteligência artificial por grandes empresas será analisada por meio de um survey realizado em parceria com a MEI/CNI. O levantamento permitirá identificar áreas de aplicação, intensidade de uso, barreiras à adoção e necessidades de investimento e qualificação. Os resultados também servirão de base para a elaboração de recomendações de política pública voltadas ao fomento e ao fortalecimento de startups de inteligência artificial no país.

5. IA na Administração Pública — IA@APF

A incorporação da inteligência artificial pela administração pública abre possibilidades para mudanças na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas, mas também introduz novos desafios institucionais e de governança. A pesquisa analisa essas possibilidades no âmbito da administração pública federal, com foco inicial nos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública, buscando compreender os usos já existentes, as capacidades institucionais disponíveis e as principais limitações para a adoção dessas tecnologias.

O diagnóstico será desenvolvido a partir de entrevistas em profundidade com atores-chave da administração pública e complementado por exercícios de prospecção de cenários futuros. O uso de técnicas de foresight permitirá examinar diferentes trajetórias de adoção da IA e seus possíveis efeitos sobre capacidades estatais, governança, prestação de serviços públicos e gestão de riscos. A pesquisa é liderada por Rodrigo Brandão, do IEA/USP, com participação de Catarina Ianni Segatto, Mateus Henrique Amorim Moura Rocha e Pedro Vivas.

Este projeto é uma parceria de

e